set
2010
Famílias sobre os escombros
Publicado por Sérgio Leitão em Família, Liderança, Pais e Filhos, Relacionamento
Tags: Crise na Família, Relacionamento, Sexo e Sexualidade, Vida em Família
As cenas são cruéis. Chile, Haiti, Angra dos Reis, São Paulo, Rio de Janeiro, Estados Unidos, Europa, Ásia… S
obreviventes sob os escombros após vários dias sem água e comida. Outras imagens chocantes mostram os efeitos da chuva, do frio, do calor e de violências de todo o tipo. Quem analisa os fatos com a perspectiva bíblica sabe tratar-se do cumprimento das profecias da Palavra de Deus.
Mas, que ligação isso pode ter com relacionamentos e vida familiar?
Se me permitem fazer um paralelo, a família, como instituição, tem enfrentado terremotos, vendavais e ataques terroristas e muita gente está vivendo sob escombros relacionais, na complexidade tumultuada da vida familiar.
Desde o Éden, o primeiro casal foi vítima das artimanhas do inimigo. A instituição familiar é o alvo do diabo, através de ataques diretos e, principalmente, pela pressão exercida através dos valores distorcidos vividos pela sociedade, onde o dinheiro, o sexo e o poder são o tripé que sustenta o sistema mundano.
É um dilema ser um cidadão dos céus e viver diariamente com a cultura de um povo, que despreza os valores do Reino de Deus. O desafio é não ser seduzido pelo brilho e o fascínio dos banquetes de sensualidade das fontes poluídas de um pensamento secular, que divorciou-se dos absolutos da Palavra de Deus.
O perigo é quando nos amoldamos a uma cultura maligna, sem perceber que estamos flertando com o conteúdo proposto pela maior parte da mídia, que divulga, avaliza e incentiva o comportamento pecaminoso, inclusive nas nossas famílias. Isso acontece de forma lenta, gradual, sutil, persistente e tremendamente dominadora. Nada mais sedutor que aquilo que nos agrada aos olhos e mexe com os nossos desejos mais íntimos.
Quem estabelece relacionamentos sob essas influências vive em área de risco de tremores e desabamentos. E, exatamente como acontece com os cidadãos que vivem em locais perigosos, que oferecem resistência em aceitar as mudanças propostas pela Defesa Civil, o paralelo espiritual é verdadeiro. Apesar de ver a família dividida e desestruturada, muitos teimam em viver a penosa agonia da iminente destruição.
Não é por acaso que Deus afirma que “a terra se contaminou” (Lv 18.25) e determinou ao povo de Israel que não assumisse o jeito de viver dos povos ao seu redor (Lv 18.25), nem absorvesse as práticas dos seus contemporâneos. “Portanto, guardareis a obrigação que tendes para comigo, não praticando nenhum dos costumes abomináveis que se praticaram antes de vós, e não vos contaminareis com eles. Eu sou o SENHOR, vosso Deus.” (Lv 18.30).
Infelizmente, o que se vê hoje, inclusive nas igrejas, são jovens e adolescentes que estão deixando de namorar para “ficar”. Isso significa dizer que estão sendo apanhados pela lascívia e erotização que parece não ter limites. Há ainda aqueles, de todas as idades, que passam horas assistindo a programas que enaltecem o adultério, o homossexualismo, o ocultismo, a promiscuidade e todo o tipo de falcatrua. Não há como ficar exposto a tanto lixo e não ficar enlameado. São bases de areia que, cedo ou tarde, não subsistirão às crises e temporais que atingem a todos os seres humanos. Existem pessoas que foram seduzidas pelo comodismo, pela frieza e indiferença e se acostumaram, se integraram ao cotidiano do grupo. Se deixam levar pela falsa idéia de que nada faz mal, tá tudo certo, o tempo conserta tudo.
Outros trocam de parceiro por motivos banais e se cercam de argumentos filosóficos que amparem seu comportamento repreensível. Muitas crianças inocentes estão sofrendo com a destruição dos seus lares. Pessoas estão caindo na tentação da infidelidade conjugal, deixando um rastro de corações partidos, esperanças e vidas despedaçadas.
Será possível manter bons relacionamentos mesmo sob os escombros das famílias desajustadas e das nossas próprias ambiguidades?
O profeta Daniel foi desafiado a viver em uma cultura sedutora, sem ser seduzido por ela (Dn 1). É a perspectiva cristã de ser sal no meio da podridão moral: Viver uma vida genuinamente revolucionária, como foi a de Jesus. Certa vez perguntei a um político se ele achava que se os policiais ganhassem mais, a corrupção diminuiria. A resposta foi surpreendente: “Não! Corrupção tem a ver com caráter. Não importa o quanto se ganhe, se não for uma pessoa de caráter será corrupta do mesmo jeito.” Esse pensamento está de acordo com os ensinamentos de Jesus: “Quem é fiel no pouco é fiel no muito” (Lc 16.10). A oferta pode ser tentadora, mas o nosso compromisso deve falar mais alto. Nosso posicionamento diante do vendaval contra a família será fruto da firmeza do nossa decisão. Daniel determinou em seu coração não contaminar-se (Dn 1.8).
É momento de avaliar a condição dos fundamentos da própria casa. É preciso ficar atento à postura de pensar que está tudo bem ou que não precisamos de ajuda, ou imaginar que a nossa família está imune ao perigo. Quem enfrenta situações de risco não pode ficar inerte, nem “jogar a toalha”, como se a vida relacional já tivesse acabado debaixo dos escombros. É preciso dar sinal de vida, pedir ajuda, gritar. Não é preciso simular uma situação de bonança, quando há temporal. Pode ser que dê para sobreviver por um tempo, mas o oxigênio pode estar acabando, a vitalidade pode estar no fim. É preciso que o socorro seja feito com urgência.
A boa notícia é que a providência está chegando. Deus afirma “Clama a mim e responder-te-ei…” (Jr 33.3). Nos erros e acertos Jesus está conosco. Somos encontrados por Deus em nossos relacionamentos. Nas situações mais improváveis é que o milagre surgirá. Por mais que a família esteja desajustada, que haja sérias falhas de caráter, Deus continua acreditando e investindo em nós, como fez com Jacó e a família da promessa, que diante de mentiras, traições, brigas e mundanismo, teve a oportunidade de experimentar a restauração divina (Gn 32.28).
As histórias da Bíblia falam a nós, em nosso tempo. O mesmo Deus que prometeu a Abraão abençoar “todas as famílias da terra” (Gn 12.3), é um Deus que se associa com pessoas muito imperfeitas. Essa revelação é uma chama de esperança a quem tinha sido dado como morto. Os traços do caráter de Jacó, estão psicologicamente muito presentes em nós. Apresentamos as mesmas fraquezas, anseios, ambiguidades, necessidades, desejos e, ao mesmo tempo, o potencial para uma busca apaixonada pela sobrevivência, pela vitória, pela benção, pela solução, pela resposta, pelo resgate. É nessa busca, nessa fé, que vamos experimentar as soluções do Criador para a recriação do que parecia sem chance alguma.
Que isso sirva de aviso ou chamada de atenção aos pastores e líderes da urgência de buscar àqueles que estão minguando à nossa volta – debaixo de escombros relacionais.
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Fonte: Texto do Pr. Jairo Ribeiro extraído do site www.clickfamilia.org.br




