Uma vida familiar boa é essencial e fundamental para a felicidade e o bem-estar de um indivíduo e da sociedade. Mesmo com os enormes desafios do casamento e da criação dos filhos, os componentes essenciais para uma família ideal são – e têm sido – em toda a história da humanidade e no mundo inteiro a principal experiência de vida para muitas pessoas. Mesmo diante dos imensos problemas políticos, econômicos e sociais, e cercados por desafios, a “família” continua sendo o esteio da sociedade.
O assunto família é sempre fascinante, oportuno e muito sugestivo. Portanto falar, pensar, ouvir e aprender sobre ele é sempre um grande privilégio. Ainda mais compartilhar o nosso sonho para “A Cidade dos Meus Sonhos”, que com certeza é o sonho de Deus: A qualidade de vida de nossas famílias influencia a qualidade de vida da cidade.
Família é uma instituição divina. Antes de Deus, o Criador, instituir o estado, a escola ou a igreja, primeira ele instituiu e constitui a família, que para nós se tornou o mais fascinante projeto de Deus. Após haver criado o reino vegetal, o reino mineral, e reino animal, sim, após haver criado todas as coisas, ele Deus, criou com muita graça a família. A família é a pedra angular, o fundamento da sociedade, é a organização pela qual se mede o estado em que se acha a humanidade.
Todos nós sabemos que a família é importante. Então como podemos efetivamente dar mais prioridade à família? O que é possível fazer para nos assegurarmos de que estamos realizando aquelas coisas que melhorarão a qualidade da vida familiar em nossa cidade? A exemplo do patriarca Jacó, do guerreiro Josué, do rei Davi, de Jonadabe o filho dos recabitas, de Priscila e Áquila entre outros.
No livro do profeta Jeremias, capítulo 29, versos de 4 a 7, lemos: “Assim diz o Senhor dos exércitos, o Deus de Israel, a todos os do cativeiro, que eu fiz levar cativos de Jerusalém para Babilônia: Edificai casas e habitai-as; plantai jardins, e comei o seu fruto. Tomai mulheres e gerai filhos e filhas; também tomai mulheres para vossos filhos, e dai vossas filhas a maridos, para que tenham filhos e filhas; assim multiplicai-vos ali, e não vos diminuais. E procurai a paz da cidade, para a qual fiz que fôsseis levados cativos, e orai por ela ao Senhor: porque na sua paz vós tereis paz.” O Senhor, ele mesmo quem enviou seu povo ao exílio por causa dos seus pecados, mas mesmo em cativeiro Ele não os abandonou. Continuou exortando, dando orientações para eles terem paz. Ele, o Senhor, mostra que uma família alicerçada Nele, mesmo em tempo de tribulação, de guerra e perseguição pode usufruir das bênçãos. Ele diz pela boca do profeta, construam casas, habitem nelas, escolham mulheres (entre seu próprio povo)… casem-se… tenham filhos e filhas…. multipliquem-se. Busquem a prosperidade da cidade, trabalhem pela prosperidade da cidade, cooperem para que a cidade prospere, orem pela paz da cidade. Desejem o bem da cidade, amem a cidade, ou seja, busquem Shalom para a cidade.
Estamos vivendo uma época em que as mensagens sociais sobre esse aspecto da vida, viver em família, são incrivelmente confusas e desconcertantes. Até mesmo o propósito da família em si parece incompreensível. Enquanto no passado a família era, em geral, vista como uma instituição sagrada, necessária para a sobrevivência física, para a procriação, para a formação do caráter de várias gerações, para o treino de habilidades e para o fortalecimento emocional e espiritual, hoje em dia muitos a consideram opcional e essencialmente social e recreativa.
Também estamos vivendo um tempo em que nos encontramos divididos e voltados para muitas outras questões da vida, o que torna difícil parar para pensar sobre a qualidade da vida em família e como isso nos afeta e poderá afetar as gerações futuras.
O apóstolo Pedro em sua primeira epístola nos adverte: “Sede sóbrios e vigilantes! O diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar” (5.8). A Bíblia nos diz mui claramente que nestes últimos dias nós enfrentamos a ira de um diabo totalmente ensandecido (Joel 2.2-10). Satanás sabe que seu tempo está acabando, e está decidido a devorar o povo e a cidade. “Ai da terra e do mar, pois o diabo desceu até vós, cheio de grande cólera, sabendo que pouco tempo lhe resta” (Apocalipse 12.12).
Contra quem o diabo direciona a sua ira? Seu alvo são as famílias piedosas – tanto as salvas quanto as não salvas – que querem proclamar e viver os princípios de Deus em nossa cidade e no mundo inteiro. ¬¬Ele está rugindo como leão esfomeado, atacando lares para devorá-los. Seu propósito infernal é destruir casamentos, distanciar filhos, pôr os membros das famílias uns contra os outros. O alvo é simples: ele procura levar ruína e destruição a todo lar que puder. Jesus referiu-se a esta obra demoníaca quando descreveu Satanás, dizendo: “Ele foi homicida desde o princípio” (João 8.44).
Muitas famílias em nossa cidade têm sido arruinadas pelo caos, tristeza e dor. E a devastação demoníaca chega de muitas formas: através do divórcio, de filhos rebeldes, da violência, da prostituição infantil, da corrupção dos valores éticos, de vícios de todas as espécies. Entretanto o resultado é sempre o mesmo: uma família antes feliz é desintegrada e devorada.
Tomemos como referência o tempo dos juízes para exemplificar como a qualidade de vida de uma família influência a qualidade de vida da cidade. Deus estabeleceu uma obra santa em Siló. Siló era o lugar onde ficava o santuário do Senhor, o centro de toda atividade religiosa em Israel (1Samuel 1.3). O próprio nome Siló quer dizer “o que pertence ao Senhor”. Isso fala das coisas que representam Deus, e revelam a sua natureza e caráter. Era também onde Samuel ouviu a voz do Senhor, e onde o Senhor lhe revelou a sua vontade.
No entanto, Eli era o sumo sacerdote em Siló, e seus dois filhos eram ministros no santuário. Eli e seus filhos eram preguiçosos e sensuais, totalmente consumidos por interesses próprios. Durante o seu ministério, permitiram que pecado grosseiro entrasse na casa de Deus. Com o passar do tempo, Siló se tornou corrompida. Logo o povo de Deus estava cheio de cobiça, adultério e hipocrisia.
Finalmente, o Senhor parou de falar em Siló. Basicamente, disse a Samuel: “Siló ficou tão contaminada que não representa mais quem eu sou. Esta casa deixou de ser minha. Não vou mais tolerar isto. Este lugar está acabado para mim”. Então o Senhor tirou sua presença do santuário. E escreveu “Icabode”, significando: “A glória do Senhor se afastou”.
Até que ponto um povo precisa chegar para que o Senhor retire dele a sua presença? Considere a cena em Siló: durante anos, ninguém havia se colocado na brecha em favor daquela sociedade. Ninguém se humilhou, clamando em arrependimento: “Senhor, não se aparta de nós!”.
Ao invés disso, Deus só via um povo endurecido em relação à verdade. Aqueles israelitas observavam todos os rituais religiosos e diziam todas as coisas certas, mas seus corações não participavam de nada daquilo. Todas as suas obras eram da carne. E o sacerdócio havia ido além do ponto de retorno.
A igreja de Jesus Cristo em nossa cidade deve se ocupar de ganhar almas, e a maioria dos cristãos são fiéis em fazer isto. Oramos pela nação brasileira, por avivamento em nossa cidade e por nossos vizinhos não convertidos. Damos graças a Deus porque o seu povo está cumprindo esta obra vital. Porém, perguntamos: quem está orando fielmente por seu pai, mãe, irmã, irmão, primo, prima, ou pelos avós não salvos? Orar por nossos queridos deveria ser da maior importância em nossas vidas. Afinal, a responsabilidade por este tipo de oração recai sobre aqueles que têm acesso ao ouvido de Deus, que estão suficientemente próximos dEle para fazer um pedido. Agora, se este alguém não é você, então quem é? Quem há de orar fervorosamente pela salvação da sua família, se você não o faz?
Talvez você pense: “Já tenho testemunhado à minha família há anos. Tenho vivido meu testemunho com fidelidade diante deles. Eles conhecem as minhas convicções. Agora só me resta entregá-los aos cuidados de Jesus”. É verdade que devemos entregar nossos queridos não salvos ao ministério de convencimento produzido pelo Espírito Santo. Mas confiar no Espírito não significa deixar de orar com insistência em favor de nossa família. Confiar no Senhor significa fazer exatamente o oposto. Se realmente confiamos nEle para a salvação e libertação de nossos queridos, clamaremos como aquele nobre: “Por favor, Jesus, venha já. Aja rápido, antes que meu ente querido se perca para sempre” (João 4.49). Somente oração agressiva e fervorosa pode combater os objetivos destrutivos de Satanás para arruinar nossa família e nossa cidade. Orações feitas por pessoas cujos corações estão divididos não derrubarão as fortalezas dele. Precisamos ser chacoalhados das preocupações que temos conosco mesmos, e levar a oração a sério. E devemos ficar perto de Jesus até que a sua resposta venha.
O salmista enfatiza a importância e o valor da unidade familiar quando diz: “Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam; se o Senhor não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela (Salmo 127.1-2).” O que faz uma família saudável pode tornar uma nação segura e em paz. Deus edifica famílias, casas, cidades e nações. Ele é o guardador das cidades que são formadas de famílias.
O salmo 128 reforça que um homem espiritual será abençoado tanto em seu lar como no seu trabalho. Estudos já demonstram como um trabalhador que vive em um ambiente familiar conflituoso, no trabalho sua produtividade será pequena como o inverso também é verdadeiro. A família é indicada como o maior responsável pela constituição de atitudes de respeito, obediência, responsabilidade e trabalho de equipe. Porém, o salmista tem um amor tão grande pela cidade de Jerusalém que diz como um homem que teme ao Senhor é abençoado, mas dentro dele há uma inquietação promovida pela falta de paz na cidade.
Precisamos estar cientes, portanto, que famílias fortes produzem sociedades fortes. Uma sociedade forte gera famílias fortes. Por conseguinte, famílias saudáveis e felizes representam tanto as raízes quanto os frutos de uma civilização estável e duradoura.
E o que produz uma família saudável e feliz? Acreditamos que todos aqueles que analisam com seriedade assuntos relativos à família concordam que: um casamento sólido e afetuoso tende a gerar uma família forte. Em geral, as famílias são felizes e bem-sucedidas, desde que seus membros: confiem, amem, acreditem, ajudem, confortem e perdoem uns aos outros; trabalhem, contribuam, orem, divirtam-se e comemorem juntos. As famílias que possuem relacionamentos saudáveis com seus familiares mais próximos são, em geral, mas felizes e enfrentam os desafios da vida como mais tenacidade.
É de suma importância refletir sobre o nosso papel na família, e precisamos aprender a conduzir a liderança de nossa família, isto é, em nossa extraordinária oportunidade de influenciar e criar os que estão à nossa volta segundo aqueles princípios que sempre produziram famílias e sociedades fortes e felizes.
Embora todos os membros da família – cônjuges, pais, avós, irmãos, irmãs, tias, tios, primos e primas – tenham a chance de contribuir de alguma maneira para a melhor qualidade de vida da família. Se Deus o chamou para liderar uma família, não permita que nada se interponha no caminho do privilégio que você tem de servi-lo e de servir ao seu povo por meio da aplicação do dom, dos recursos e da oportunidade que Ele preparou para você. Você é parte de um grupo especial de pessoas identificadas por Ele para uma tarefa desafiadora, mas compensadora: Mudar a qualidade de vida da cidade a partir da qualidade de vida de sua casa. Aos olhos de Deus você não é melhor do que qualquer outra pessoa por causa deste chamado, mas você é sem dúvida especial à medida que prossegue neste chamado. Mantenha as palavras de Isaías 32.15-18 gravadas em sua mente: “Mas Deus derramará sobre nós o seu Espírito; então o deserto virará um campo fértil, e as terras cultivadas darão melhores colheitas. Na cidade, haverá justiça por toda parte; todos farão o que é direito. A justiça trará paz e tranqüilidade, trará segurança que durará para sempre. O meu povo habitará em moradas de paz, em moradas bem seguras e em lugares quietos e tranqüilos.”
SOUZA, S.L.; SOUZA, V.L.C. Sonhando com famílias influenciando a qualidade de vida da cidade. In: SAMPAIO, A.M.M (Org.). A cidade dos meus sonhos. Feira de Santana: Inteligência Editorial. 2008, p.67-75.