abr
2010
Deus rejeita o divórcio
Publicado por Sérgio Leitão em Casamento, Divórcio e Novo Casamento
Tags: Aliança Conjugal, Divórcio, Quebra de Aliança, Restauração, Separação
“Vocês não leram que, no princípio, o Criador ‘os fez homem e mulher’ e disse: Por essa razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à uma mulher; e os dois se tornarão uma só carne? Assim, ele já não são dois, mas sim uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, ninguém separe” (Mt 19.4-6).
Jesus conhecia as Escrituras judaicas e acreditava que elas se cumpririam nele e em sua obra (Mt 5.17-18). Também sabia o que Deus dissera acerca do relacionamento entre o Pai e seu povo, quando o comparou com o casamento. Por exemplo, Deus disse: “O seu Criador é o seu marido, o Senhor dos Exércitos é o seu nome” (Is 54.5). Disse ainda: “Naquele dia, declara o Senhor, você me chamará ‘meu marido’ [...]. Eu me casarei com você para sempre; eu me casarei com você com justiça e retidão, com o amor e compaixão. Eu me casarei com você com fidelidade e você reconhecerá o Senhor” (Os 2.16,19-20). “Mais tarde, quando passei de novo por perto, olhei para você e vi que já tinha idade suficiente para amar, então estendi a minha capa sobre você e cobri a sua nudez. Fiz juramento e estabeleci um aliança com você, palavra do Soberano, o Senhor, e você se tornou minha” (Ez 16.8). “Mas, como a mulher que trai o marido, assim você tem sido infiel comigo, ó comunidade de Israel, declara o Senhor” (Jr 3.20). Tendo essas passagens das Escrituras como pano de fundo, Jesus com certeza viu a instituição do casamento, feita por Deus na criação, como meio de retratar o relacionamento entre Deus e seu povo.
Em Mateus 19.5, Jesus cita Gênesis 2.24: “Por essa razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e os dois se tornarão uma só carne”. Quando Deus disse, e Jesus afirma categoricamente que Deus o disse (Mt 19.4), e não apenas Moisés, o autor de Gênesis —, ele tinha em Mente (Deus tinha todas as coisas em mente) que seu povo seria a esposa, e ele, o marido. Portanto, a união entre um homem e uma mulher é uma criação ímpar de Deus, cuja idéia é retratar o relacionamento entre ele e seu povo.
Ao interpretar o decreto de Moisés sobre o divórcio (Dt 24.1), os seguidores do rabino Shammai acreditavam que o divórcio só seria possível por causa de infidelidade. Os seguidores do rabino Hillel, no entanto, argumentam que a Lei de Moisés permite o divórcio virtualmente por qualquer razão. Jesus chocou seus discípulos ao rejeitar tanto uma proposta como a outra nesse debate entre os rabinos (Mt 19.10). Em lugar de ir direto ao texto contestado (Dt 24.1), Jesus fez referência à quebra dos laços do casamento (Mt 19.4-6). A resposta final para esse problema não está numa questão legal, no exercício da tradição nem em soluções humanas, mas, sim, no plano criado por Deus (Gn 2.24). Deus nunca afrouxou nem comprometeu seus princípios. Ele redime e restaura qualquer um que busque seu perdão.
O ponto de vista de Jesus sobre o divórcio (gr. apostasion, de apoluo, “mandar embora”, significando “remover do centro do relacionamento” ou “quebrar a comunhão”) pode ser entendido apenas se visto à luz do princípio preexistente da monogamia permanente de um homem e de sua mulher, que diz que os casais devem permanecer juntos durante toda a vida. O plano da permanência é claro na metáfora “uma só carne” usada pelo Senhor. Moisés permitiu o divórcio como um artifício para proteger as mulheres tratadas com maldade por homens inescrupulosos que procuravam manipular os processos de separação. Os fariseus tomaram a “permissão” da Lei e transformaram-na em um “mandamento”, fazendo da fragilidade humana uma justificativa para se desviar do plano e propósito de Deus.
Jesus não ensinou que a parte inocente precisa divorciar-se da culpada. O propósito da cláusula de “exceção” da Lei de Moisés, repetida na explicação de Jesus, não é encorajar o divórcio. O compromisso de união no casamento não depende da vontade humana nem daquilo que o indivíduo faz ou deixa de fazer, mas, sim, do plano original e do propósito que Deus tem para o casamento (Os 3.1-3).
Deus rejeita o divórcio pelas seguintes razões:
- O casamento é uma instituição divina que o Senhor usou para ensinar seus filhos sobre seu relacionamento com ele (Gn 1.27; Mt 19.4).
- O casamento é ordem clara de Deus e leva sua marca (Mt 19.4-5).
- O casamento une duas pessoas em uma só carne, testificando sobre o propósito de permanência que Deus tem para a mais íntima união (Mt 19.6).
- Jesus aponta para o exemplo do primeiro casal (Mt 19.8).
- Quando ocorre uma separação, as conseqüências ruins são inevitáveis (Mt 19.9).
O divórcio não será nunca a opção de Deus. De fato, Deus odeia o divórcio (Ml 2.16). No entanto, se o divórcio ocorrer por qualquer razão; Deus deseja trabalhar na restauração da pessoa que experimentou essa tragédia se houver arrependimento e desejo de reconciliação com ele.












