O lastro

Publicado por Sérgio Leitão em Amizade, Conselhos, Pais e Filhos, Relacionamento

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Lastro é o peso usado para dar estabilidade a um objeto. Os navios carregam lastro sólido, na forma de pedras, areia ou metais. Hoje em dia, usa-se água para permitir a redução do lastro quando o navio está carregado. Quando o navio é descarregado, enchem-se os tanques para manter a estabilidade, o balanço e a integridade estrutural da embarcação.

Essa prática antiga produziu uma metáfora muito usada: “O “lastro” de uma pessoa ou de uma vida”. Diz-se que a experiência se transforma em lastro. Ou seja, esse “peso” passa a dar estabilidade à pessoa. Ela já não “aderna” com facilidade. Suporta as tempestades sem “emborcar”.

Também se diz que a família é o lastro de um jovem. Aqui, a versão moderna de lastro, que é aumentado e diminuído conforme a necessidade, é figura perfeita. Casa-se com a idéia de que o jovem, pela sua pouca experiência, precisa de mais lastro para enfrentar as crises da vida adulta. As tempestades atingem a todos, mas afundam os barcos mais leves. Também a família pode aumentar ou diminuir seu “peso” sobre um jovem, conforme perceba que ele está “navegando de forma instável”, ou que sua estrutura pode se romper.

Embora adultos tenham, em geral, o lastro da experiência, muitas vezes já não têm a família, ou esta já não funciona como tal. Nesse sentido, tanto adultos quanto jovens precisam saber onde buscar essa segurança e estabilidade para suas vidas.

Gostaria de sugerir uma importante fonte de lastro: a igreja. Ela é a segunda família. Com a diferença de que nunca desaparece, nunca se desfaz. Nossas famílias de sangue um dia se desintegram, seja por morte, seja porque nos mudamos para longe. Porém a igreja sempre estará lá, à nossa espera.

Sabemos disso. O problema é que tendemos a não considerar a igreja como família. Não aceitamos quando ela “aumenta o lastro” sobre nós. Não nos envolvemos tanto nem permitimos “aproximações exageradas”. E quando mantemos distância, quando permanecemos “visitantes assíduos”, retiramos da igreja esse elemento familiar; retiramos seu poder de estabilizar nossa vida para a hora da tempestade.

Sim, a casa edificada sobre a rocha é aquela que se constrói comunitariamente, com vinho e pão. E a imagem de uma construção, aqui, é útil: é algo que não se faz da noite para o dia. Há um longo e penoso processo de assentamento de tijolos com argamassa.

Na hora da tempestade, o “visitante assíduo” pede ajuda. E há de recebê-la, claro. Porém há uma ajuda que ninguém lhe poderá dar nessa hora: “lastro”. Não se mexe em lastro de navio em meio à tempestade.

Quanto a isso, o jovem tem as maiores dificuldades e também as maiores oportunidades. Seu lastro é pequeno, por causa da pouca experiência de vida. Mas, se começar agora, não chegará à velhice como “a palha que o vento dispersa” (Sl 1.4).

Jovem, descubra a bênção de envolver-se “até o pescoço” com sua igreja, com as pessoas da igreja. Sirva-as com perseverança, alegria e ação de graças. Parta-se como pão. Derrame-se como vinho, sem nada cobrar. Perceba que as brigas entre irmãos e a superproteção dos mais velhos são “coisa de família”. Com o tempo, você se perceberá um navio de grande calado, que não aderna com a tempestade.

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Fonte: Autor Rubem Amorese, publicado na Revista Ultimato, nº. 318.

O que você pode fazer para confiar?

Publicado por Sérgio Leitão em Amizade, Casamento, Pais e Filhos, Relacionamento

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Com frequência é dito que a confiança é a pedra fundamental de qualquer relacionamento bem-sucedido. E eu concordo plenamente com isso. A confiança é fundamental em um relacionamento amoroso ao validar o sentimento de segurança que nós precisamos sentir para poder em troca dar o nosso amor àquela pessoa. Mas o que acontece quando uma pessoa tem dificuldade em confiar na outra com a qual se relaciona? Quanto isso causa de impacto no outro? 

É triste pensar que existem pessoas que são incapazes de confiar completamente em outra por sentirem um medo enorme e muito arraigado dentro de si de serem feridos e sofrer.  Esse medo com frequência nasce de alguma experiência traumática que ainda não foi resolvida. As pessoas que têm problemas de confiança em seus relacionamentos vão continuar a carregar consigo sua incapacidade de partilhar seu amor com os outros, até o momento em que eles decidam trazer o tema à tona e trabalhá-lo para chegar a um desfecho positivo.

Se você acha que tem esse problema e ele está impedindo você de sentir e viver plenamente um relacionamento amoroso, então você precisa confrontar a falta da confiança você mesmo. Não dependa dos outros para resolverem problemas que são seus, pois você é o único que pode realmente solucioná-lo. Apesar de haver muitos bons recursos para ajudar a lidar com essa questão, como livros e manuais, eles servem só para informação; o verdadeiro trabalho para deixar de ter medo de confiar deve acontecer dentro de você, ao você se permitir conhecer esse medo, as situações desencadeantes, conseguir entendê-las e recontextualizá-las. E então permitir-se ir experimentando situações em que pode voltar a experimentar confiar em quem ama!

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Fonte: Texto de Cláudia Bruscagin, publicado no site www.outraleitura.com.br.

Cultivar amigos faz bem!

Publicado por Sérgio Leitão em Amizade, Relacionamento

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por Robson Brito

“Em todo tempo ama o amigo, e na angústia se faz o irmão”. Provérbios 17.17

Pesquisadores descobriram que a endorfina é uma substância produzida a partir do carinho e da presença de um amigo, uma espécie de bálsamo para muitas das dores humanas.

A amizade não só libera este remédio natural produzido pelo cérebro, mas diminui a tensão interior e refrigera a alma. É como se o corpo se desarmasse, ancorado na segurança de ter um amigo. Além disso, ter uma pessoa do lado, com quem se possa contar, ajuda a controlar melhor a pressão arterial, contribui para proteger os vasos sanguíneos de possíveis lesões, equilibra o batimento cardíaco, bem como dá uma força e tanto contra a depressão.

Temos que aprender a desenvelopar a capacidade que Deus nos deu de fazermos amigos. Quando eu era adolescente, li um livro, publicado pela primeira vez em 1937, atualmente com mais de 50 milhões de exemplares vendidos. O nome da obra é “Como fazer amigos” e está dedicado a um amigo pessoal do autor. Esta dedicatória é a mais interessante que já vi: “Este livro é dedicado a um homem que não tem necessidade de sua leitura!”

Muita gente que está enferma hoje seria curada se tivesse aprendido a cultivar com mais afinco amizades sinceras e verdadeiras.

O cultivo de amizade é uma via de mão dupla. Mantém-se pelo fluxo e refluxo de ações mútuas. As pessoas entram em nossas vidas por acaso, mas não é por acaso que permanecem. Conservam-se em nossa existência, quando investimos nelas e nos abrimos para que elas invistam na gente. Certa vez, em uma comunidade que liderei, uma senhora reclamou que não tinha amigas. Procurei fazê-la perceber que ela não fazia nenhuma questão de cultivar amizades. Debochou de meus conselhos. Somente esperava que os outros fossem até ela. À medida que se isolava como uma ostra, a sua alma adoecia… Acabou morrendo.

Você pratica a arte de fazer novos amigos? Investe no relacionamento com os velhos amigos? Contenta-se meramente em ter conhecidos ou colegas? Tem dificuldade em chamar alguém de amigo?

Ainda tenho muito que aprender da virtude da afeição. Mas, permita-me lhe dar algumas sugestões, a fim de que cultive boas amizades:

1) Procure enxergar o potencial que Deus vê neles;

2) Ouça-os desinteressadamente e deixe-os falar de si mesmos;

3) Descubra e discuta seus alvos específicos;

4) Assuma responsabilidade de cooperar para a conquista desses alvos;

5) Procure discernir conflitos que os impedem de atingir esses alvos e exerça a criatividade para propor projetos que facilitem isso;

6) Aprenda a cultivar o interesse deles em alcançar essas metas;

7) Aprenda a consolá-los nos momentos de tristeza;

8 ) Assuma a responsabilidade pela reputação deles;

9) Seja sensível às suas atitudes e às deles, as quais venham necessitar de mudanças;

10) Procure discernir as causas básicas de deficiências de caráter;

11) Cultive o interesse de corrigí-las (deixe que ele também fale de suas falhas);

12) Comprometa-se com fidelidade, lealdade e disponibilidade.

Assim, você será mais saudável e o mundo será melhor.

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Fonte: Artigo escrito por Robson Brito e publicado no site www.institutojetro.com, em 09-11-2009.

Onde estão os amigos?

Publicado por Sérgio Leitão em Amizade, Relacionamento

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Você tem um amigo íntimo? Não estou falando apenas de alguém a quem você convida para almoçar, mas, sim de um amigo genuinamente íntimo, um amigo do tipo que você tinha na infância, na escola ou na faculdade. O tipo de amigo com quem você conversava, a respeito de toda e qualquer coisa. O tipo de amigo que apenas ria quando você dizia algo realmente idiota. O tipo de amigo a quem procurava se estivesse em verdadeiro apuro, ou se estivesse sofrendo.

O que aconteceu com esse tipo de amigo? Por que homens e mulheres não desenvolvem amizades adultas com essas mesmas qualidades de transparência e vulnerabilidade das amizades da nossa juventude?

Após a saudade das aventuras dos dias escolares que passamos, empreendemos uma guerra para estabelecer uma carreira, escolher o futuro cônjuge, iniciar uma família, construir uma vida e acumular coisas. Durante essa fase de “construção” na vida, não dispomos de muito tempo para os amigos – e a necessidade que sentimos não é tão grande assim. Afinal, uma esposa ou marido recente e filhos satisfazem muitas das nossas necessidades de relacionamento.

Mas à medida que o tempo marcha em frente, surgem necessidades que somente podem ser satisfeitas por outras pessoas, pessoas que andam nas mesmas pegadas, pessoas que compartilham os mesmos problemas, a mesma experiência com a vida. Nessa altura, as pessoas percebem sua necessidade de amigos, amigos genuínos, mas amizades adultas são difíceis de começar e mais difíceis ainda de manter.

Amigos têm muita influência em nossas vidas: “O justo serve de guia para o seu companheiro, mas o caminho dos perversos os faz errar” (Provérbios 12.26). Por este motivo, a escolha de companheiros é um assunto de grande importância: “Quem anda com os sábios será sábio, mas o companheiro dos insensatos se tornará mau” (Provérbios 13.20). Nossas escolhas não envolvem apenas pessoas, mas decidem a nossa direção na vida e na eternidade. Tiago frisou bem este fato quando perguntou: “Infiéis, não compreendeis que a amizade do mundo é inimiga de Deus? Aquele, pois, que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus” (Tiago 4.4). O mesmo livro fala de um homem de grande fé que rejeitou os caminhos errados de outros homens e mostrou a sua lealdade ao Senhor. O resultado desta escolha de Abraão? “Foi chamado amigo de Deus” (Tiago 2.23).

As amizades mais íntimas que a maioria das pessoas acaba tendo são com as pessoas organizadas em torno de suas carreiras. O dia todo, homens e mulheres trabalham juntos em tarefas comuns e essas metas comuns criam um nível de comunhão e espírito afim. Mas é raro os relacionamentos de alguma profundidade.

Amizade duradouras são constituídas sobre o alicerce do amor incondicional, lealdade perene e compromisso imutável, como foram as amizades de Davi e Jônatas, no Antigo Testamento (1Sm 18.1-3), e de Isabel e Maria, no Novo Testamento (Lc 1.39-56).

Sabemos também que corremos riscos com os amigos, principalmente com aqueles que sempre concordam conosco, apoiando-nos mesmo nas coisas erradas. “Melhor é ouvir a repreensão do sábio do que ouvir a canção do insensato” (Eclesiastes 7.5). O amigo verdadeiro nos corrige, e a pessoa sábia procura ter amigos com coragem e convicção para a repreender quando for necessário. Por outro lado, o insensato evita pessoas que corrigem e criticam, procurando aprovação acima de sabedoria. “O escarnecedor não ama àquele que o repreende, nem se chegará para os sábios… O coração sábio procura o conhecimento, mas a boca dos insensatos se apascenta de estultícia” (Provérbios 15.12,14). Ninguém gosta de ser corrigido, mas todos nós precisamos de amigos que nos amam tanto que mostram os nossos erros: “Melhor é a repreensão franca do que o amor encoberto. Leais são as feridas feitas pelo que ama, porém os beijos de quem odeia são enganosos” (Provérbios 27.5-6).

O fato é que a maioria das pessoas tem um déficit de amizade. Seus balancetes estão vazios quando se trata de verdadeiros amigos. A maioria das pessoas não sabe como fazer nascer um amigo verdadeiro, ou como ser um.

Podemos estar cercados por muitos conhecidos, mas sem ter alguém com quem realmente conversar, com quem possamos compartilhar os nossos sonhos e temores mais profundos, alguém disposto a apenas ouvir, a apenas ser um amigo e ouvir, e nem sempre oferecer uma solução rápida.

O que precisamos compreender é que os amigos trazem riscos: rejeição, traição, vergonha, sentimentos magoados. Mas os amigos valem o risco, se pudermos aprender como encontrá-los.