As preocupações do dia-a-dia rouba a fé

Publicado por Sérgio Leitão em Conselhos, , Princípios Bíblicos

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Uma das características mais maravilhosas de Jesus é que ele não deseja que seu povo viva ansioso. Ele não mantém seu Reino à custa de espíritos inquietos. Ao contrário, o objetivo do Reino de Jesus é libertar-nos das preocupações. Ele não precisa nos manter preocupados para demonstrar seu poder e sua superioridade, pois são intocáveis e invencíveis. Ao contrário, ele exalta seu poder e sua superioridade quando leva embora nossas preocupações.

Dependendo do contexto, palavras traduzidas por “cuidado”, “preocupações” ou “temor” e “ansiedade” podem revelar tanto atitudes corretas quanto erradas na vida de um cristão. O sentimento de temor é correto como uma postura de reverência a Deus em virtude de sua santidade (Is 8.13); o cuidado é positivo por ser um gesto que demonstra preocupação com os outros (1Co 12.25; 2Co 11.28).

No entanto, preocupar-se é uma conduta sempre errada, pois paralisa a fé ativa na vida da pessoa. Ao nos preocuparmos, assumimos responsabilidades que não foram dirigidas a nós. Jesus, repetidamente, ensinou: “não se preocupe” mesmo em relação às coisas básicas da vida (Mt 6.25-34).

Quando Jesus diz: “Não se preocupam com o amanhã” (Mt 6.34), ele estabelece o tipo de vida que todos desejam — sem preocupações, sem medo dos homens ou de situações ameaçadoras. Mas como, porém, Jesus espera que seu mandamento seja cumprido se tudo à nossa volta nos deixa preocupados? Jesus nos auxilia, apresentando dois tratamentos para combater a preocupação e o medo. O primeiro está relacionado à preocupação com as necessidades básicas da vida, como alimento, bebida, roupa (Mt 6. 23-4). O segundo está relacionado à preocupação com o mal que os homens podem nos causar (Mt 10.24-31). Na primeira passagem, Jesus confirma nossa capacidade de viver com alegria, mesmo sem saber como nossas necessidades serão supridas. Na segunda, Jesus nos incentiva a perseverar na causa da verdade quando alguém nos ameaça.

Todos nós somos capazes de compreender claramente a mensagem principal de Jesus em Mateus 6.25-34: “Não se preocupem”. Versículo 25: “Não se preocupem com sua própria vida”. Versículo 34: “Não se preocupem com o amanhã”. Essa, porém, é a forma negativa de apresentar a mensagem principal desses textos. Há uma forma positiva, no versículo 33. Em vez de preocupar, “busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus”. Quando pensarmos na vida, no alimento ou em roupas – ou no cônjuge, nos filhos, nos bens, no emprego, em nossa missão —, não devemos nos afligir com isso. Ao contrário, devemos pensar em Deus, o Rei, nesse momento. Jesus está dizendo: “Entreguem a situação ao seu poder majestoso e façam a vontade de Deus com a confiança de que ele estará conosco e suprirá todas as nossas necessidades. Se acreditarmos no Reino do Pai celestial, não haverá necessidade de nos preocuparmos com coisa alguma”.

A preocupação divide a mente entre pensamentos úteis e fúteis. Fontes de preocupação incluem mudanças, falta de entendimento e falta de controle de nossa vida. Preocupar-se não altera absolutamente nada (Mt 6.27); serve apenas para desviar o nosso olhar das coisas de Deus e da fidelidade e justiça divinas. Ao invés disso, desviamos nossa atenção para as coisas da vida, como bens materiais, por exemplo (Mt 6.31). A preocupação sufoca e constitui um sentimento destruidor, que corrói nossa energia e tenta elevar a força humana acima da força de Deus e dos planos divinos.

Por que temos a tendência de nos preocupar com comida e com roupa? Porque há três coisas   que perderemos se não tivermos comida e roupa: 1) Perderemos alguns prazeres. Afinal, a comida agrada ao paladar; 2) Perderemos alguns elogios humanos e olhares de admiração se não usarmos roupas bonitas, e 3) Possivelmente perderemos a vida se não tivermos alimento para comer ou roupas que nos projetam do frio. Preocupamo-nos com comida e com roupa porque não queremos perder prazeres físicos, elogios humanos nem a vida.

Jesus nos adverte quanto levar uma vida cheia de preocupações: “Se você for dominado pelas preocupações com essas coisas, deixará de ver as grandezas da vida”. A vida não nos foi concedida para o prazer físico acima de tudo, mas para algo bem maior — agradar a Deus (Lc 12.21). A vida não nos foi concedida para receber a aprovação dos homens acima de tudo, mas para algo bem maior — a aprovação de Deus (Jo 5.44). A vida não nos foi concedida para ser prolongada neste mundo acima de tudo, mas para algo bem maior — a vida eterna com Deus no futuro (Jo 3.16). Embora os filhos de Israel tenham visto Deus abrir o mar Vermelho para libertá-los do Egito, eles não creram que ele providenciaria água no deserto para suprir as necessidades deles.

Por isso que preocupação é o oposto da fé, e o ato de preocupar-se sugere que Deus não é digno de confiança para cuidar da nossa vida e suprir nossas necessidades (Fp 4.19). A preocupação provoca o medo, que exclui a fé.

Ao associarmos preocupação com descrença, as Escrituras providenciam retorno à fé completa. O caminho que vai da preocupação à fé começa com o reconhecimento do pecado e a confissão de falta de fé (Sl 139.23), continua com a libertação (Sl 34.4J e termina com a segurança de’ que absolutamente nada pode nos separar do amor de Deus, que é o grande EU SOU (Rm 8.35; Ex 3.14-15J.

Não devemos nos preocupar com comida e com roupa porque elas não proporcionam as coisas grandiosas da vida, isto é, agradar a Deus, buscar sua graça e misericórdia, querer passar a eternidade em sua presença. Se vivermos preocupados com essas coisas, deixaremos de ver os grandes propósitos da vida centralizada em Deus. No lugar de ansiedade, devemos oferecer ações de graça livremente, com o coração restabelecido e confiante em Deus (Sl 112.7-8; Fp 4.6-7).

Comentários:


  1. Em um mundo sufocado pelo stress e tendo a ansiedade como mola propulsora faz-se oportuno uma abordagem bíblica.
    Parabéns.

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